domingo, 25 de março de 2018

Emissário ao Emir


Com menos de metade da área da Guiné-Bissau, o Kuwait faz lembrar o mapa da Guiné-Bissau visto ao espelho. Mas há mais parecenças: a sua capital também dá o nome ao país, encontra-se numa abertura para o mar com várias ilhas ao largo, tem secções rectas da fronteira, possui mais ou menos o mesmo número de cidadãos (apesar de o país ter o dobro dos habitantes) e está dependente quase a 100% das exportações de um único produto.

Lembre-se ainda que o Embaixador do Kuwait na ONU, Mansour Al-Otaibi, teve uma intervenção relevante aquando da tentativa de endosso das sanções da CEDEAO, apontando com alguma perplexidade que o caso da Guiné-Bissau era único, entre aqueles analisados pelo Conselho de Segurança, sendo puramente político e alheio a qualquer ameaça securitária.

"The situation in the West African country is different from other cases being examined by the UNSC in the sense that it is purely political remotely from any security dimensions."

Há pouco, a Agência Noticiosa do país emitiu uma nota acusando recepção de uma carta transmitida em mão por enviado especial, dirigida ao Emir por parte do Presidente da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, na qual expressa a vontade de reforçar os laços de cooperação bilateral em várias áreas. Cooperação? Só se for para trocar ouro negro por ouro castanho. 

sábado, 24 de março de 2018

À espera que luza no fundo do túnel

A Lusa publica um artigo banal e cheio de erros factuais e gramaticais.

Oferecemos uma rectificação.

Começando pelo título...

"Apelo ao uso do caju como fonte de vitamina C" Ora cá está um título relevante e bem escolhido.

"ligado aos vários projectos" quais? deveríamos acompanhar a vaidade do senhor?

"produção do produto" pois, é como subir para cima, ou lamber com a língua

"300 mil toneladas" não corresponde aos dados oficiais que a Lusa tem publicado nos últimos dias

"mais de metade é exportada" um pouco impreciso... quer dizer que quase metade é consumida localmente?

"No período do caju as pessoas não têm problemas de vitamina C" e no resto do ano, têm? caem-lhes os dentes?

"defende a transformação local em vez de venda da totalidade da produção guineense" então em que ficamos? mais de metade é igual à totalidade?

"postos de emprego" (sem aspas no original, ou seja, da responsabilidade do editor) postos de trabalho, sff

"de todo caju" de todo o caju, sff

"O caju é o principal produto agrícola e de exportação na Guiné-Bissau" La Palisse não diria melhor. Representa 99% do valor das exportações.

"Estudos e especialistas recomendam a transformação local do produto" ah é? são os de autoria do "especialista"? isso é alguma novidade?

"a capacidade instalada para o processamento do caju na Guiné-Bissau assegura apenas 30 por cento". ah é, 30%?

"Mário Mendonça garante que "apenas dois a três por cento" das cerca de 300 mil toneladas produzidas (cerca de 170 mil é exportada anualmente) é sido processada." 2 ou 3%? então, contradiz-se em relação à frase anterior?

"170 mil é exportada" 170 000 está muito longe do singular... 170 000 são exportadas, sff

"é sido"? é mas é sida ortográfico

 "pode fazer-se também, licores" também vírgula licores? licores é plural, já agora

"da árvore pode retirar-se lenha" Obrigado, senhor de La Palisse, os guineenses estavam ansiosamente à sua espera para lhes explicar

"O especialista alertou também que "há muito dinheiro de proveniência pouco clara" a circular no negócio do caju" Ah! Cá está a mensagem. Para além do narco-tráfico, e dos riscos de terrorismo, ontem, hoje é a lavagem de capitais.

Ficámos esclarecidos. Agora vamos comer o nosso caju ao pequeno almoço para repor o stock de vitamina C.

É de uma banalidade e boçalidade chocante, este pretenso artigo, para servir os mais que óbvios intentos de prejudicar a imagem da Guiné-Bissau. Um monte de lixo para uma pobre mensagem podre. Se fazem fretes, coloquem aspas no princípio e no fim, ficam mais protegidos. Vão mas é aprender a escrever. Indigno de uma agência de notícias oficial.

sexta-feira, 23 de março de 2018

Pura coincidência Lusa

A Agência Lusa tirou hoje duas notícias com um quarto de hora de intervalo sobre a Guiné-Bissau, uma às 15h42 e outra às 15h57. (a Lusa não permite a visualização integral do artigo, veja mais à frente).

Nada demais. Os assuntos são diferentes.

Mas há algo que as liga. Ambas falam de prevenção. Uma do radicalismo e extremismo religioso outra do consumo de droga.

Sim, mas e então?

Pura coincidência? Talvez. Mas os teóricos da conspiração poderiam ver neste reforço mútuo alguma intenção escondida.

No fim da notícia relativa à droga, depois de múltiplas citações do entrevistado (secretário-executivo do Observatório Guineense da Droga e da Toxicodependência) entre aspas, a Lusa escreve sem elas:

"Abílio Có Júnior alertou também para o facto de que dos 100% das drogas que passam pelo país 30% ficam para consumo interno, principalmente o ‘crack’". (as aspas são nossas, que citamos a Lusa).

Quando se escreve sem aspas, a responsabilidade deixa de ser de quem declara. Ora, obviamente, não estamos perante um "facto" mas perante uma estimativa do observador (não o jornal, mas o entrevistado), que nem sequer é grosseira, mas sim falsa e confusa, ao misturar as drogas todas no mesmo saco. Recorrendo ao truque de colocar essas afirmações em jeito de conclusão, não quererá a Lusa intencionalmente deixar no ar, perante o leitor pouco informado, a ideia de que passa muita droga pela Guiné-Bissau?

Conseguiram transformar uma notícia de prevenção do consumo em diabolização do narco-estado. O resto do guião também se conhece, atiçar os riscos do terrorismo, etc. Para criar a convicção da fragilidade do Estado? A quem interessa a desestabilização da Guiné-Bissau?

Quanto à INTERPOL, talvez fizesse melhor proveito em considerar a Guiné-Bissau um caso de estudo, um laboratório de ensaio da tolerância, em vez de tentar instilar os seus medos e inocular o vírus da desconfiança, numa sociedade cuja marca é uma saudável e respeitosa convivência inter-religiosa.

Venham até cá fazer turismo e estudar os casamentos mistos, duplamente celebrados por duas religiões diferentes, e sairão decerto mais ricos.

quinta-feira, 22 de março de 2018

Faure prova malagueta e diz que arde

O Conselho de Ministros togolês reuniu-se ontem, tendo por ordem de trabalhos apontar a utilização da internet como bode expiatório para a situação do país. No comunicado final emanado, os ministros diziam "não compreender por que razão são cada vez mais numerosos os internautas a dispararem bojardas contra o seu país." 

Decidiram ainda estudar a possibilidade de reforçar o arsenal jurídico do país, com o objectivo "de processar utilizadores da Internet que incitam os seus compatriotas ao ódio e que espalham informações falsas nas redes sociais." Segundo o jornalista Roger Adzafo, o referido comunicado mais parece um autêntico "curso de direito, lembrando aos cidadãos que os textos de lei comum também são aplicáveis ​​a questões digitais. Assim, os autores de notícias falsas e discursos de ódio podem ser culpados de ofensas, como insulto ou calúnia."

Quem encomendou a tarefa foi sem dúvida Faure Gnassingbé, para quem "Hoje, aqueles que intoxicam e mentem encontraram um aliado na tecnologia. Pode-se transformar um homem simples como eu num ditador sanguinário."

Segundo o Conselho de Ministros "o uso inadequado de redes sociais impacta negativamente a imagem do país, ajudando a afastar os investidores, desestimulando o espírito empreendedor, o que pode ter repercussões na criação de emprego e de riqueza".

Faure está a confundir as coisas. É preciso tratar os bois pelo nome. Quem impacta negativamente a imagem do país é o próprio presidente, ditador sanguinário, ao desafiar a vontade popular de lhe atribuir a reforma, após três mandatos de má memória. Não vale a pena tentar virar o bico ao prego ou armar-se em donzela ofendida. Gnassingbé nada tem de virgem pura e inocente, como mostrou ao tornar-se cúmplice na ignominiosa mediação conduzida por Alpha Condé e Marcel de Souza na Guiné-Bissau. "Homem simples"? Ou um lobo disfarçado com pele de cordeiro? Algum togolês se deixará ainda enganar? Não parece... a internet, pelo contrário, fomentou a liberdade de expressão e permitiu um esclarecimento cada vez maior da população togolesa, que antes estava confinada à verdade oficial ditada por Faure. 

Alpha Condé fecha-se na concha

As autoridades impediram hoje a marcha de protesto da oposição.  Para o seu líder, trata-se de uma atitude incompreensível, pois o próprio General Ansumane Camará, também conhecido como Bafoe, director do CMIS (companhia móvel de intervenção e segurança) felicitou a responsabilidade da oposição, na última marcha promovida, que decorreu sem incidentes. Mas Cellou Dalein responde à letra "Como Alpha Condé gosta de desordem, vamos ajudá-lo a promover a desordem, a partir da próxima semana". A oposição vai reunir para organizar manifestações em massa. A semana que aí vem anuncia-se como explosiva em Conacri.

O mesmo responsável de segurança, Bafoe, gabava-se de ter instalado um impressionante dispositivo de segurança para impedir a realização de um sit in promovido por parte das mulheres da oposição, ontem, em frente ao Ministério da Justiça, para pedir a responsabilização dos agentes das forças da ordem responsáveis pelos assassinatos e exacções dos últimos tempos. O General disse ainda que as forças da ordem não voltariam a ser surpreendidas como aconteceu a 8 de Março, quando as mulheres conseguiram invadir as redondezas do palácio presidencial, como aqui demos conta, nesse dia. Armas pesadas para fazer frente a mulheres de mãos nuas? 

quarta-feira, 21 de março de 2018

Varrer para debaixo do tapete


O presidente do PAIGC, partido cujos problemas internos estão na origem da presente crise, pretende lavar as mãos com sabão de vítima e deitar a bacia da água suja para cima de outro partido?

Não conhecemos o teor do processo relacionado com os 13 militantes convocados ao Ministério Público. Nem Domingos Simões Pereira parece conhecer, ou pelo menos não o partilha no texto em epígrafe. No entanto não hesita em presumir acusações, nem em imputá-las a quem lhe convém. 

"Agora, estes são acusados e vão ser ouvidos". Não, não tente dar o salto maior que a perna, invertendo os trâmites: vão ser ouvidos, e só depois, eventualmente, acusados. E, caso o Ministério Público avance, quem decide da sua eventual culpa, para os transformar em condenados, é o tribunal. Até lá, são simples testemunhas, e mesmo que sejam acusados, são ainda presumidos inocentes. A ladainha da vítima não pega.

Mas o que choca pelo absurdo é apontar o dedo ao PRS. O Ministro de Estado e do Interior, que acusa de ser o instigador, é porventura um alto dirigente do PRS? Não. O comanditário que aponta, foi porventura quem disputou a liderança do PRS em Congresso? Não. Porventura no "grupo de arruaceiros" identificaram-se com o cartão do PRS? Não, alguns fizeram mesmo questão de mostrar o cartão do PAIGC, não se percebendo por que razão foram impedidos de entrar na sede do seu Partido, ou por que não estava ninguém para os receber e com eles dialogar. 

A recente recusa em participar do diálogo ao mais alto nível, ignorando convocatória do Presidente da República, vem apenas confirmar essa estratégia autista, de quem tem o rei na barriga e julga que é dono disto tudo. Não, um verdadeiro democrata esgrime argumentos, tenta convencer pela força das suas razões, não se esquiva ao diálogo. Nem que no fim decida optar por dizer que não. 

Não queira tapar o sol com a peneira, senhor Domingos Simões Pereira. 

Foi e continua a ser sua intransigência, que conduziu o país à "saga de divisão e instrumentalização de todas as franjas da nossa sociedade, querendo provocar o caos, a desordem e a insegurança generalizada." Quem são os verdadeiros "senhores sequestradores do Estado, da paz e da ordem interna"? Quem inventou "organizações da sociedade civil" para esse fim e ainda atribui prémio em Congresso ao seu líder que se dizia "independente"? Se entender, use o seu espelho, e em vez de lhe fazer sempre a mesma pergunta que a madrasta da Branca de Neve fazia, questione-o sobre isso, pode ser que chegue à resposta certa.

É de alguma forma compreensível que, perante a ausência de solidariedade do PRS, aquando das circunstâncias que envolveram o adiamento do recente Congresso do PAIGC, por decisão judicial motivada por militantes do PAIGC, haja algum ressentimento em relação a esse partido. No entanto, isso não justifica, como não justificava nessa altura, que tente varrer para cima de um partido que se tem limitado a fazer política. Porque essa tentativa de limpar as suas culpas no cartório é o cúmulo, que só o expõe ao ridículo.

Estrangeiros abandonam Conacri

Jornal senegalês denuncia as violências étnicas em curso em Conacri.


No fim do artigo, afirma que Alpha Condé "depende do caos para poder governar. Informações em nossa posse revelam que estrangeiros, estabelecidos em Conacri e redondezas, começam mesmo, por medida de prudência, a abandonar o país. No entanto, nem as organizações dos direitos humanos, nem as internacionais evocam estas matanças que fazem a actualidade da imprensa. O silêncio é igualmente total tanto da parte da CEDEAO como da União Africana, enquanto vimos recentemente políticos bissau-guineenses democraticamente eleitos proibidos de sair do seu país pela primeira dessas organizações citadas, sob o falacioso pretexto de bloquearem o funcionamento das instituições do seu país."

terça-feira, 20 de março de 2018

Alerta fito-sanitário

O presidente da Associação de Agricultores da Guiné-Bissau (ANAG), Jaime Gomes, alertou hoje para a propagação de várias pragas que afectam o cajueiro. Uma delas, decerto pela sua vulgarização, até já mereceu a atribuição de uma designação própria por parte dos agricultores: serra-cajú. Trata-se de um insecto que mina os troncos, até que caem. Mas há outras pragas que "atacam o caule, há outras que atacam as folhas, outras ainda que comem as flores".

Sabendo que o cajueiro é uma planta alienígena, introduzida na Guiné-Bissau há pouco mais de meio século, há o perigo real de uma praga nova poder ter um efeito fulminante sobre os pomares, à falta de predadores naturais. O que, conhecendo a dependência quase exclusiva do país em relação à produção, seria trágico e poderia ter resultados devastadores para a economia familiar e do país. Aponte-se como exemplo da incúria com que as autoridades tratam estas ameaças, o caso de Portugal: a chegada de um escaravelho, julga-se que com origem em Marrocos, reproduziu-se rapidamente por falta de inimigos e destruiu em pouco tempo a quase totalidade das palmeiras do país, deixando a paisagem de certas localidades, como Peniche, tristemente desolada.

Se, até aqui, a situação não parece ser excepcionalmente alarmante, as pragas atacando sobretudo as plantas mais velhas, isso não impede que, devido à importância estratégica da cultura do cajueiro, não seja criada uma célula fito-sanitária que se dedique ao estudo das pragas que afectam o cajueiro, à sua monitorização no terreno, a equacionar tratamentos e formas de as prevenir. Uma das maiores preocupações de Amílcar Cabral, após ter acabado o curso de Agronomia e ter vindo até à Guiné, no princípio dos anos cinquenta, era precisamente a segurança fito-sanitária, tendo publicado um pequeno opúsculo sobre o assunto.

Apesar da multiplicação de Associações, muitas vezes em sobreposição, pouco ou nada se tem feito, para além deste género de alertas, quanto ao ordenamento desta cultura, que, segundo o engenheiro florestal Constantino Correia afirmou, há menos de um ano, poderia render duas ou três vezes mais, se feita de forma organizada. 

Felicitações tripolares

José Mário Vaz enviou hoje felicitações ao presidente russo Vladimir Putin e ao presidente chinês Xi Jinping, pelas respectivas reeleições, manifestando vontade de reforçar a cooperação com estes dois países, os quais acabaram com as pretensões hegemónicas americanas que se seguiram à queda do muro de Berlim e ao fim da guerra fria. Lembre-se que estes dois países se opuseram recentemente, no seio do Conselho de Segurança da ONU, ao endosso das sanções ilegais que a CEDEAO, manipulada pela máfia pró-CFA, impôs a 19 políticos guineenses. Recorde-se que estes dois países são contra a imposição de sanções aos seus cidadãos, por considerarem que, nos moldes em que se encontra a jurisprudência mundial, o respectivo quadro legal não oferece garantias de defesa, em termos de contraditório ou recurso, violando os Direitos Humanos.

Manobras dilatórias de Faure

A poucas horas de mais uma vaga de quatro dias de manifestações que deverão varrer o Togo, o principal opositor de Faure Gnassingbe, Tikpi Atchadam, presidente do PNP (Partido Nacional Panafricano) acusa o Presidente de sabotagem do diálogo e de usar este como um dispositivo para travar o ímpeto do povo, que o quer ver destituído. "A paciência do povo tem limites face à teimosia do governo. (...) É preciso dizer a verdade a Faure. E se ele não quiser ouvi-la, impor-lha, nem que seja pela força". Considerado como ponta de lança da alternância, pisca o olho à Nigéria, para que tome em mãos os destinos da CEDEAO, como primeira potência militar da África ocidental e se torne a "força dos povos fracos da sub-região".

O colectivo de 14 partidos que estão na origem da convocação das manifestações reuniu no princípio da semana passada com um general do exército nigeriano, na embaixada da Nigéria em Lomé. Um artigo da imprensa togolesa levantava a questão de se deveria ser encarada a hipótese de uma solução ao estilo da Gâmbia, atendendo ao denominador comum que é a luta pela conservação do poder por parte de um único indivíduo. Acrescente-se que, uma vez que um país francófono ocupou um país anglófono, seria legítimo um país anglófono proceder à reposição do equilíbrio sub-regional, com base nesse precedente. 

Segundo o mesmo artigo, o Presidente Buhari estima que os problemas de alternância são uma das razões que impedem as populações africanas de se concentrarem no desenvolvimento. Talvez por isso tenha boicotado a Cimeira da UA, manifestando o desagrado pela deslocação a um país onde o Presidente (como o seu vizinho de Bujumbura), violou os acordos estabelecidos e alterou a constituição para obter um terceiro mandato e se manter no poder. A carta da CEDEAO prescreve a limitação a dois mandatos do exercício do poder presidencial. Carta à qual nem o presidente togolês nem o guineense querem aderir.

Mas o que é que está em causa? É a esperteza saloia de Faure Gnassingbé, que pretende contornar as regras recorrendo a uma habilidade. Está em cima da mesa um referendo para o retorno à Constituição de 1992, a qual limita a dois os mandatos presidenciais. No entanto, Faure faz finca pé para que esta não seja "retro-activa", o que lhe permitiria, depois dos três mandatos já cumpridos, fazer ainda mais dois, mantendo-se por mais dez anos no poder. 

E, para isso, espera contar com o apoio da maioria dos chefes de Estado, mesmo que envergonhadamente, como é o caso do presidente do Senegal, segundo um outro artigo do mesmo jornal togolês: "Em privado, Macky Sall julga desapropriada a vontade de exigir a partida de um presidente que não foi deposto pelas urnas (pretendendo assim defender a sua conquista, sem oferecer o flanco). Alpha Condé (interessadamente, pois agrada-lhe o precedente, uma vez que pensa imitar Faure) também partilha essa tese. Apoiando-se no clube dos chefes de Estado (controlados por Paris), Lomé tenta dividir os seus adversários." Mas essa maioria é relativa, pois os países são de dimensões diferentes e a Nigéria tem mais população só por si que todos os restantes países da CEDEAO juntos! 

Mesmo que a opção militar não venha a ser tomada, o Presidente Buhari já disse que, por enquanto, Faure detem infelizmente a Presidência da CEDEAO. Mas, segundo artigo do jornal L'Alternative, "se até Junho, quando acaba o seu mandato, a situação togolesa não conhecer desenvolvimentos positivos, Faure Gnassingbé passará por dias bem complicados. O pau que usou desajeitadamente contra a Guiné-Bissau, será o mesmo que os seus colegas utilizarão contra ele". Legitimamente, acrescente-se.

Ras le bol


Com um longo historial de exacções, do qual um episódio recente consistiu na agressão a um jornalista, os boinas vermelhas, ou a guarda pretoriana do ditador Alpha Condé, são agora acusados de estar a participar de uma campanha de intimidação conduzida contra bairros populares de componente essencialmente fula, prendendo jovens para os espancar durante a noite, exigindo elevados resgates aos seus pais. Como já se tinha constatado, com a presença dos donzos em Conacri, Alfa Condé, desesperado, não hesita em recorrer à intimidação com base étnica.


Isso mesmo foi denunciado em carta aberta dirigida ao Presidente da República, pela coordenação nacional dos fulas do Fouta Djallon, que considerou como "um dever imperioso interpelar o governo e alertar a comunidade internacional para as reiteradas violações dos mais básicos direitos humanos: justiça sempre negada, repressão indiscriminada e assassinatos continuam a ser cometidos, apesar de todas as promessas das autoridades. (...) Convidamos o presidente a proceder a uma avaliação rigorosa da situação de forma a interromper o ciclo de assassinatos, de destruição, de estigmatização, cujas principais vítimas são fulas, para evitar que nosso país caia no precipício da divisão. (...) Sem outro recurso, sabendo que a justiça, a polícia, o exército, todos estão sob as ordens de um poder injusto que nos segrega, sabemos que como último recurso só podemos contar connosco próprios e com Deus. Dadas as políticas segregacionistas do poder etnocêntrico do Professor Alpha Condé, declaramos de viva voz que estas atitudes do poder estabelecido constituíram a gota de água que fez transbordar o copo da nossa paciência. Vamos tomar todas as medidas que julgarmos adequadas para nos defendermos".

Batalha escatológica


A Nigéria, sentindo-se encurralada pela pressão francesa para a expansão do franco CFA (que recorre a todos os argumentos, incluindo uma campanha pessoal contra o presidente Buhari, que a Jeune Afrique trata deselegantemente de "falcão depenado"), reagiu boicotando a presença do país na Cimeira Extraordinária da União Africana, onde deveria ser assinado o Acordo de Comércio Livre, conforme anunciado ontem pela Presidência do país. É que isso implicaria uma abertura do mercado nigeriano ao exterior e ofenderia a estratégia proteccionista e uma visão de desenvolvimento baseada na soberania monetária.

Como já vimos aqui, tratam-se de duas visões radicalmente diferentes para o futuro da moeda única da CEDEAO. Uma das quais nem sequer é africana, mas uma extensão do colonialismo, que o presidente francês insiste em promover. Efectivamente, segundo um artigo hoje publicado sobre a nova moeda única da África Ocidental, Macron afirmou recentemente que era favorável a um "alargamento do perímetro" do franco. Apesar das aparentes concessões que tinham feito nessa matéria, admitindo vagamente o fim do CFA, os franceses parecem ter dificuldade em aceitar a perda da sua influência no mundo e o facto de já não serem uma potência colonial. Em plena negação, optam pela fuga para a frente e pretendem não só continuar a instrumentalizar a política monetária da UMOA, como absorver os restantes países da CEDEAO para a sua área de influência, isolando a Nigéria. Resta saber se não terão mais olhos que barriga.

Aparentemente, estamos em plena batalha escatológica pela definição do futuro da África Ocidental. E a visão neo-colonialista que impregna toda a administração francesa, imposta e mantida em África à custa do sangue dos seus líderes mais promissores, como ontem foi dito num programa da Africa 24, lembrando o caso de Sylvanus Olympio, presidente do Togo, assassinado três dias depois de decidir abandonar o franco CFA, ou de Thomas Sankara, que ousou desafiar Miterrand em solo francês, pregando um desenvolvimento auto-centrado e sustentável, independente da antiga metrópole, denunciando o controlo total da economia, da política e da sociedade pela França e pelas suas elites económicas.

Mas se, durante muito tempo, conseguiram calar as populações, pela repressão e pelo aliciamento de líderes bem comportados (a quem admitiram na maçonaria, para melhor os envaidecer e controlar), vimos assistindo, nos últimos anos, a uma inversão do cenário. A opinião pública dos países da própria UMOA, mais esclarecida, já não é o que era. Pouco a pouco, os olhos vão-se abrindo. Activistas ousam levantar o tabu e provocar o poder estabelecido, como foi o caso de Kemi Seba, quando queimou uma nota de 5 000 FCFA, recebendo ordem de prisão. Os protestos chegaram de todos os países da zona, até do insuspeito Mali.

O próprio presidente Ouattara, apesar de todas as garantias dadas em Paris a Macron, em Junho do ano passado (decerto ainda não esqueceu as razões que o levaram ao poder), está entalado entre a "obrigação" de não cuspir na sopa, e a sua opinião pública (ou o interesse do seu país?). Num inquérito on-line de opinião promovido durante a semana passada pelo jornal La Depêche d'Abidjan, os resultados afixados pouco antes da meia noite de hoje, dia 19 de Março, eram de 11% a favor do CFA e 89% contra, num total de 2641 votantes.

Mas não é só em África que se levantam as vozes contra o neo-colonialismo que França insiste em tentar impor. O Partido Comunista Francês, sentindo o momento, avança também, através de uma Conferência sobre o Neo-Colonialismo francês em África, já para o próximo dia 24 de Março. "Os povos africanos, pilhados pela nossa burguesia, estão em luta, e não podemos ficar calados. É preciso romper o silêncio".

A centralização das reservas de câmbio bloqueia as economias da zona, a paridade a uma moeda forte limita fortemente a competitividade das economias africanas no mundo (mantendo-se ao serviço dos velhos interesses coloniais), a convertibilidade garantida não passa de uma forma de camuflar a evasão de capitais. A quem aproveita a apregoada "estabilidade"? 

Num artigo de opinião de há uma semana atrás, intitulado "a vergonha dos pedintes", pode ler-se "são numerosos os países africanos que não podem viver sem a ajuda da França. A ajuda ao desenvolvimento não poupa nenhum país africano. Uma vez chegados à Presidência, o país anfitrião é a França. Todos os chefes de Estado à procura de protecção ou de financiamento correm para o país de Macron. O paradoxo é que ainda há poucos meses, se falava na extinção do CFA. É suficiente que façam uma viagem a França para recuperarem alguns dos seus CFA para que os franceses recebam os louros de uma grande generosidade. Mas seria bom procurar descobrir de onde vem na realidade esse dinheiro. As ofertas francesas parecem anedóticas (...) A exploração das riquezas africanas não serão a recompensa das migalhas com que se contentam os africanos após cada anúncio de um dom à pobreza? Apesar dos beneficiários considerarem essas migalhas como o franco culminar de uma amizade entre a França e os pedintes. Poderia a França estar no G5, não fossem esses africanos sedentos de ajuda? Para o desenvolvimento desses países pedintes, é absolutamente necessário cortar com essa mão estendida e criar uma diplomacia razoável. Os chefes de Estado mendigos responderão perante o Juízo Final".

Acrescentamos que a hipocrisia francesa chega ao ponto de contabilizar como ajuda ao desenvolvimento os juros referentes aos depósitos obrigatórios dos países da UMOA no seu Banco Central!

O pior de tudo isto é que, por causa de interesses alheios irredutíveis, os africanos da costa ocidental podem perder uma oportunidade de ouro para uma verdadeira integração regional, no contexto de uma solução negociada. Não fosse a intransigência francesa, preocupada apenas com o seu umbigo, soluções criativas poderiam ser encontradas, como sugeriu em entrevista, há quatro dias, o antigo primeiro ministro do  Bénin, propondo a indexação mista em relação ao dólar e ao euro (também referida no artigo já aqui publicado "Où est MOA"). 

segunda-feira, 19 de março de 2018

Alpha Condé engana os professores

Alpha Condé, internamente enfraquecido, depois de uma semana infernal ("a Guiné é um vulcão prestes a explodir"), acabou por, durante o fim-de-semana, fazer concessões a contra-gosto, acedendo a um aumento de salários dos professores em 40%. Claro que isso tem o grande inconveniente de representar um descontrolo das despesas e afastar a Guiné dos critérios de convergência para uma futura moeda única.

Apesar da alegria e satisfação manifestada hoje pelos professores (e alunos), com o fim da greve e a retoma das aulas, após várias semanas de greve, aquilo que os professores não imaginam é que, em termos reais, o aumento será sol de pouca dura e o seu efeito não passará de um mês, pois a taxa de inflação vai disparar, uma vez que o franco guineense não está indexado. Foi o esforço de contenção de despesas, para satisfazer o jogo dos franceses, que permitiu controlar a taxa de inflação. Trata-se de um balão de oxigénio puramente nominal, rapidamente a situação voltará à vaca fria.

A Guiné cada vez mais longe da moeda única, apesar dos compromissos assumidos por Alpha Condé perante os franceses.

Quem não se fez esperar, foram os professores senegaleses, os quais, inspirados pelos colegas guineenses, querem agora também aumentos salariais que Macky Sall, debaixo da pata gaulesa, como aluno obediente, não pode conceder. É que, se Alpha Condé controla a sua política monetária (a impressora de notas), o mesmo não se pode dizer do Senegal.

O debate sobre o futuro da moeda única vai aquecer.

Paulo Flores e Manecas Costa esgotam em meia hora

Os bilhetes para os concertos marcados para os dias 30 e 31 de Março, no Real Plaza Hotel, no âmbito do evento Show do Mês, organizado pela Nova Energia, esgotaram ontem pouco tempo depois de colocados à venda e, segundo as últimas informações, já estão a ser vendidos muito acima do valor facial.

Há mais de uma dúzia de anos a tocar juntos, os músicos, que se tornaram quase inseparáveis nos últimos tempos, encarnam uma verdadeira irmandade musical Angola / Guiné-Bissau, entre o Semba e o Gumbé, do mais profundo das raízes identitárias ao ritmo dos batuques, até aos acordes mais sofisticados.

sábado, 17 de março de 2018

Espectro de guerra civil em Conacri


Condenação da presença das milícias donzo em Conacri (patrocinadas por Alpha Condé, fazendo apelo ao fantasma étnico): 

"Um precedente grave que não deve ficar impune. Deve ser reprimido, pois esta situação é de natureza a dar ideias a outros e a conduzir ineluctavelmente o nosso país à guerra civil. (...) Os extremistas devem ser travados no seu ímpeto diabólico. É imperioso que os republicanos acordem. Aqueles que acreditam numa sociedade de debate respeitando o contraditório, têm de tomar uma atitude, senão corremos o risco de vermos o nosso país precipitar-se no abismo da guerra civil. Cada dia que passa nos aproximamos mais do caos. O perigo de que falo não é o terrorismo, é bem pior, porque os pirómanos conseguiram instalar nos espíritos os germes de um conflito comunitário."

Quem ontem escreveu isto não foi um activista qualquer. Foi o deputado Ousmane Gaoual, vice-presidente da Comissão Parlamentar de Defesa e Segurança, que assim acusa o Presidente de ser um pirómano pior que terrorista e de estar a fomentar uma catástrofe humanitária.

Alpha Condé em desespero de causa, leva o ódio aos adversários políticos ao paroxismo de subtrair os seus mortos: ordenou que fizessem desaparecer o corpo do jovem (muito próximo dos líderes da oposição) assassinado na quarta-feira durante uma manifestação. Alguns já pedem o envio de uma força da CEDEAO, para proteger a população das exacções do seu Presidente, que acusam de terrorismo de Estado

Déficit comercial

Segundo dados do INE português, Portugal tem um saldo positivo da sua Balança Comercial com a Guiné-Bissau de 31 969%, ou seja exporta 320 vezes mais do que de lá importa. As importações consistem em castanha de cajú, sucos, extractos vegetais e desperdícios de ferro (sucata), e não excedem 261 mil euros. As exportações, por sua vez, ascendem a 83,7 milhões de euros e estão relacionadas com produtos petrolíferos, à altura de 41,7%, seguidos do sector agroalimentar (incluindo cerveja) com 26,4%.

sexta-feira, 16 de março de 2018

Bardadi i Malgueta na ponta da informação

A imprensa portuguesa já lê o seu Blog Bardadi i Malgueta. Às 16h16 dávamos a primeira notícia "França isola Guiné-Bissau" e às 18h13 publicámos novo artigo "Violação de fronteira em nota oficial" com o link para a nota oficial da diplomacia francesa, que a LUSA retomaria já depois das 20h, sendo automaticamente republicada pelo Diário de Notícias e pela TSF. Em menos de duas semanas de existência deste blog, já conquistámos um grande número de leitores, que continuam todos os dias a crescer.

Máfia em família

A foto é de Naka Gnassingbé de Souza, irmã de Faure Gnassingbé e mulher de Marcel de Souza, literalmente chamada aqui (com provas) de "cocufiée" (cornuda).

Marcel de Souza é um mentiroso compulsivo.


Lomé, meados de Outubro do ano passado.

Faure Gnassingbé, que se apoderou do poder em 2005 por meio de um banho de sangue, estava entrincheirado no seu palácio e remetido a um absoluto mutismo, perante manifestações populares por todo o país, que exigiam o seu abandono imediato da Presidência do Togo, país dominado pela sua família há cinquenta anos. Sem outras soluções, ordena uma repressão militar cega. Os testemunhos das exacções cometidas e as imagens das barbaridades cometidas contra a população correram o mundo.

Segundo o jornal L'Alternative, para tentar romper o isolamento, aproveitou uma fugaz acalmia da situação para se deslocar a Conacri, "para se encontrar com Alpha Condé, presidente em exercício da União Africana, que também alimenta veleidades de alteração da constituição do seu país, para poder candidatar-se a um terceiro mandato. (...) deslocando-se precipitadamente a Conacri para visitar Alpha Condé, que sofre da mesma bulimia do poder, Faure Gnassingbé procurava um aliado de peso, com quem pudesse contar na sua sistemática recusa em abandonar o poder. (...) A viagem a Conacri torna-se ainda mais intrigante quando se descobre que a bordo do avião viajava um passageiro clandestino, na pessoa do seu cunhado Marcel de Souza, presidente da Comissão da CEDEAO. A CEDEAO parece ter-se tornado no estabelecimento comercial de Gnassingbé & Aliados. De que outra forma se pode compreender que o Presidente da CEDEAO, contestado no seu país pelas populações, embarque no seu avião o Presidente da Comissão da mesma instituição, que por acaso até é seu cunhado, para irem discutir as ameaças pesando sobre o seu regime com o Presidente da União Africana? Eis como os Chefes de Estado da África Ocidental reduziram a CEDEAO a uma instituição de pacotilha, cujos principais órgãos de decisão se encontram nas mãos de uma mesma família. Faure Gnassingbé quer implicar o seu aliado na crise togolesa na esperança de salvar o seu regime com um acordo da treta. Cabe à oposição, que já por mil vezes assinaram compromissos que a comprometeram, evitar cair na armadilha de Faure Gnassingbé e do seu aliado Alpha Condé, cujo único objectivo é enfraquecer a oposição e retomar a situação em mãos".

Manifestações em Lomé, em princípios de Novembro, declaram Marcel de Souza indesejável no Togo, podendo ver-se cartazes exigindo a sua retirada do processo de mediação, por parcial.

No mês seguinte, quando foi eleito o novo presidente da Comissão da CEDEAO, o marfinense Jean-Claude Brou para o lugar de Marcel de Souza, durante a 52ª Conferência da CEDEAO realizada em Abuja a 16 de Dezembro de 2017, Pape Kane, especialista regional da Open Society, aplaudiu a substituição, e criticou o papel de mediação de Marcel de Souza, em declarações à RFI: "Um dos desafios da CEDEAO deve ser a sua capacidade de resolução de crises. (...) O Presidente da Comissão tem interesses no caso, uma vez que a sua irmã é a esposa do actual Presidente do Togo. Portanto a sua capacidade para gerir esta situação é difícil, pois não se pode ser árbitro e jogador ao mesmo tempo". Constatação do jornalista no mesmo artigo: "já o tom dos Chefes de Estado era mais firme, em relação à Guiné-Bissau"...

Mais recentemente, em meados de Fevereiro, a oposição togolesa queixa-se que a multiplicação de encontros (25) não deu em nada. Um comunicado imprudente da mediação de Alpha Condé dá a entender ter sido fabricado no próprio Togo pelo interessado (numa clara semelhança com o que se passou na Guiné-Bissau), o que apenas veio envenenar ainda mais uma já remota aproximação de posições. "Ao pedir a suspensão das manifestações da oposição popular enquanto dava início às negociações políticas, em 15 de fevereiro de 2018, a equipa de Alpha Condé estava a brincar com fogo, enfraquecendo o papel de mediação. (...) Faure Gnassingbé não tem causa no Togo; só tem um desejo, que é permanecer eternamente no poder, recusando a alternância política (...).  A legitimidade de Faure Gnassingbé está em queda livre." 

O Presidente Buhari já afirmou que a escolha de Faure Gnassingbé para Presidente da CEDEAO foi infeliz. Resta desfazer todo o mal que esta máfia trouxe à credibilidade da organização com o processo de mediação na Guiné-Bissau (onde não há violação de Direitos Humanos nem se matam os manifestantes com bala real, como em Conacri ou em Lomé) que culminou na imposição de sanções, apenas por diversão, para distrair a atenção dos seus próprios casos terminais de regime.